

A cancela automática impõe requisitos elétricos e de segurança que vão além do simples acionamento mecânico: é necessário dimensionar o quadro de distribuição, prever DR/DPS, projeto de aterramento e proteção contra surtos, seleção de dispositivos de manobra e proteção compatíveis com a norma, e garantir cumprimento da NBR 5410, da NBR 14039 quando aplicável, e da NR-10. A seguir encontra-se um manual técnico completo para projetos, instalação, comissionamento e manutenção de cancelas automáticas, com foco em segurança elétrica, conformidade normativa e práticas de engenharia que permitem responsabilização técnica via ART.
Uma cancela automática é composta por uma unidade motriz, sistema de transmissão mecânica, circuito de comando e proteção, sensores de segurança (fotocélulas, bordas sensíveis), sistema de controle (relés, CLP ou placa eletrônica) e interfaces (botoeiras, telecomando, loop de passagem). Do ponto de vista elétrico, a cancela exige alimentação adequada (monofásica 127/220 V ou bifásica/trifásica 220/380 V conforme potência), dispositivo de proteção contra faltas, proteção diferencial em áreas externas e coordenação de proteção para evitar riscos ao usuário e danos ao equipamento.
Os motores mais comuns: motores assíncronos monofásicos para cancela residencial/condomínios (até ~200–400 W) e motores trifásicos assíncronos para aplicações industriais/portões pesados (>0,5 kW). Acionamentos podem ser:
A seleção do tipo de acionamento impacta diretamente no dimensionamento do condutor, quadro de distribuição, proteções e coordenação com dispositivos de proteção contra surtos.
As instalações deverão observar prioritariamente:
Além dessas, normas complementares (por exemplo NBR 5419 para proteção contra descargas atmosféricas) devem ser consideradas quando a instalação exigir proteção contra raios ou estiver em local exposto.
Todo projeto e execução deve ser formalizado com ART emitida por engenheiro eletricista habilitado (CREA). Documentos mínimos exigíveis: memorial de cálculo (correntes, queda de tensão, seleção de condutores e dispositivos), diagramas unifilares, diagrama de comando, lista de materiais, certificado de ensaios, plano de manutenção e relatório de comissionamento com registros de ensaios de isolamento e aterramento.
Inicia-se pelo levantamento da potência do motor (P) e demais consumos (comandos, iluminação do poste, sensores). Para motores, utilizar potências nomeadas ou medidas. Para cálculo da corrente nominal:
Considerar rendimento η e fator de potência cosφ (consultar catálogo do motor). Para cargas eletrônicas do comando estimar corrente de repouso e pico.
Corrente de partida direta pode alcançar 4–8× In para motores assíncronos conforme rotação e carga. Soft-starters ou VFD reduzem múltiplos de partida; use catálogos do fabricante para valores precisos. Dimensionar condutores, dispositivos de proteção e sistema de alimentação para suportar as correntes de partida sem operar em limiar de disparo indevido, mantendo coordenação.
Selecione bitola com base em corrente admissível (Ib), correção por temperatura, agrupamento e tipo de isolação, conforme tabela da NBR 5410. Projetar para queda de tensão máxima recomendada (tipicamente ≤3% na alimentação dos motores para garantir torque de partida e desempenho). Calcule queda de tensão ΔV = I × Rcondutor × comprimento × fator multiplicador (monofásica: 2×; trifásica: √3×). Quando o circuito for longo, considere bitola aumentada.
Proteções recomendadas:
A coordenação entre proteção (seletividade) deve ser verificada através de curvas tempo‑corrente (I×t) para garantir que dispositivos mais próximos à carga atuem primeiro, evitando queda de toda a alimentação.
Para proteção de pessoas e equipamentos:
Dimensionar DPS conforme corrente de descarga e coordenação até condutores internos; garantir equipotencialização entre sistema de proteção contra surtos e terra.
Projeto de aterramento conforme NBR 5410 e, se necessário, NBR 5419 para descargas atmosféricas. Exigências práticas:
Em empreendimentos com várias cargas, o balanceamento de cargas entre fases minimiza sobrecarga em um dos polos e evita distorções. Para motores industriais, considerar correção de fator de potência quando necessário com bancos de capacitores ou inversores que melhorem o cosφ. Atenção: bancos de capacitores devem ser instalados atrás da proteção de curto-circuito adequada e dimensionados para evitar ressonância com a impedância da rede.
Posicionar o quadro de distribuição em local seco, ventilado e acessível, próximo às fontes de alimentação para reduzir perdas e quedas de tensão. Quadros externos devem possuir grau de proteção adequado (IP65 mínimo para intempéries) e proteção contra impacto (IK rating conforme risco). Fixação da cancela requer bases metálicas corretamente aterradas e proteção contra entrada de água no cubo do motor.
Escolher invólucros com índice IP apropriado: para instalações externas recomenda-se IP54 mínimo; para locais expostos a jatos de água ou lavagem IP65. Componentes eletrônicos sensíveis (placas de comando) devem ser instalados em compartimentos com vedação e aquecimento/ventilação conforme condições ambientais.
Usar eletrodutos e cabos com proteção mecânica adequada; evitar curvas excessivas; identificadores e marcações em circuitos de força e comando. Conexões devem utilizar terminais apropriados; não fazer emendas soltas; aplicar torque conforme seriação do fabricante. Em cabos flexíveis para movimento, utilizar cabos de elevação ou braço articulado com quantidade de flexões calculada.
Executar ligações conforme diagrama unifilar. Procedimentos práticos:
NR-10 exige análise de risco, procedimentos de trabalho, fornecimento de EPI e treinamento. Para cancelas automáticas, medidas essenciais:
Implementar procedimentos de lockout/tagout (bloqueio e sinalização) durante intervenções. Incorporar sistemas de intertravamento que impeçam a partida automática durante manutenção. Testes de funcionamento devem ser feitos com a presença de pessoa autorizada e PLANO de comissionamento assinado.
Risco de choque por contato direto ou indireto, arco elétrico em caso de falha e risco mecânico por movimento não controlado. Falhas de aterramento podem levar a tensões de passo/toque perigosas. Dispositivos de proteção (DR e proteção contra curto) reduzem risco de eletrocussão e incêndio.
Instalar DPS coordenados na entrada do quadro (classe II) e, se necessário, DPS de classe I na entrada de prestação de serviço quando houver risco de descargas diretas. Garantir caminho de baixa impedância para corrente de descarga até o terra; conectar DPS ao barramento de terra com condutores curtos e sem emendas.
Filtros de linha, chokes e supressores de transientes na linha de comando e alimentação reduzem interferências que podem causar mau funcionamento de placas eletrônicas e falhas nos sensores. Cabos de comando devem ser segregados dos cabos de força para minimizar acoplamento eletromagnético.
Para aplicações críticas (empresa, acesso controlado 24/7), considerar alimentação redundante, UPS para circuitos de controle e circuito de emergência que garanta operação mínima (abertura manual assistida ou acionamento por bateria). Dimensionar capacidade de bateria e modo de transferência conforme necessidade operacional.
Antes da energização final:
Medir resistência de aterramento com equipamento adequado (método de queda de potencial ou técnica de laço/stake) e registrar relatório. Verificar continuidade de equipotencialização entre estruturas metálicas. Caso resistência de terra esteja acima do desejado, projetar melhoria (mais hastes, malha conectada, uso de condutores com maior seção).
Testar disparo de proteção em condição simulada de curto-circuito ou sobrecarga (quando seguro e viável) e verificar tempos de atuação. Testar sensibilidade do DR com corrente de fuga simulada e registrar resultado. Verificar a seletividade entre dispositivos instalados.
Manutenção deve incluir inspeções periódicas (mensal/trimestral/semestre conforme uso): limpeza de embreagens e engrenagens, verificação de lubrificação, inspeção de cabos e conexões, teste do DR e substituição preventiva de elementos com desgaste. Mantê-lo documentado e assinado por técnico responsável.
Modernizar permite ganhos de segurança e eficiência: substituição de motores por alternativas com maior eficiência, inclusão de VFD para controle de torque e redução de corrente de partida, instalação elétrica Industrial de sensores redundantes, integração a sistemas de controle predial (BMS) e monitoramento remoto. Ao modernizar, recalcular dimensionamento elétrico, proteções e verificar conformidade normativa, registrando novas ARTs.
Itens mínimos:
Armazenar documentação: certificado dos dispositivos, diagramas, medições e relatórios de manutenção. Garantir que técnico responsável esteja identificado e que haja ART cobrindo as alterações. Recomenda-se cronograma de inspeções periódicas e logs de falhas para análise de tendências.
Resumo técnico: a instalação segura e normativa de uma cancela automática exige projeto elétrico completo que contemple dimensionamento de condutores e dispositivos, proximidade com as normas NBR 5410 e, se aplicável, NBR 14039, além de observância das exigências de segurança da NR-10. Proteções adequadas (disjuntor termomagnético, relé térmico, DR e DPS), aterramento e equipotencialização são fundamentais para reduzir riscos de choque, incêndio e danos por surtos. A escolha de acionamento (DOL, soft-starter, VFD) impacta diretamente no comportamento dinâmico, dimensionamento e coordenação de proteção.
Recomendações de implementação práticas para profissionais:
Implementando as recomendações acima, o projeto e a instalação da cancela automática poderão atender aos requisitos normativos, reduzir significativamente os riscos elétricos e garantir operação confiável e duradoura. A responsabilidade técnica deve ser formalizada via ART e o projeto deve prever registros de manutenção e comissionamento para fins de conformidade e auditoria.
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